Isso é Corinthians

Chega a ser repetitivo, você já deve ter ouvido essa expressão por muitas vezes, mas não há outra maneira para descrever o que foi visto e sentido por milhares de pessoas ontem no estádio do Pacaembu, e por milhões de pessoas pelo Brasil. “Isso é Corinthians”, é uma expressão de significado próprio que embora não seja encontrada em nenhum dicionário, se sente e se compreende seu significado, desde que o indivíduo tenha tido a oportunidade de tê-lo vivido.

Mosaico da torcida corinthiana exibido na entrada do time no gramado.

Ontem no estádio Paulo Machado de Carvalho, mais uma vez foi possível sentir na pele a interpretação dessa expressão. Eram 34 mil pessoas empurrando o Corinthians para ataque com toda sua força, com todo seu fôlego, com toda a angústia inerente ao momento vivido pela equipe, com todo o sofrimento que o cenário do jogo decisivo das quartas-de-final da libertadores contra o forte time do Vasco proporcionou. Com direito a requintes de crueldade como no momento em que o goleiro Cássio fez a milagrosa defesa diante de Diego Souza que carregou a bola livre de marcação por aproximadamente 50 metros, a torcida corinthiana e a anti corinthiana tiveram a oportunidade mais uma vez de sentir a essência dessa camisa, dessa história desse sentimento. Isso é Corinthians.

Eram passados 43 minutos do segundo tempo da partida, o jogo muito igual, e após a grande chance que os vascaínos tiveram para abrir o placar, a tensão que pairava no Pacaembu era evidente, embora nem de longe lembrasse o nervosismo que a torcida e o time demonstravam em anos anteriores. Talvez devido às grandes viradas obtidas por este grupo desde o ano passado, a torcida do Corinthians tenha hoje confiança plena de que o jogo só acaba quando o juiz apita, e a qualquer momento pode surgir aquele gol salvador.


Escanteio para o Corinthians, o estádio transmitia vibrações positivas, empurrava o time com tudo que ainda lhes restava de energia, quando muitos já pensavam em uma disputa de pênaltis de puro sofrimento, eis que mais alto do que todos, surge Paulinho, para cirurgicamente testar a bola para o fundo das redes cariocas, e então aquela explosão generalizada de emoções tomou conta do “Paca”, jogadores corinthianos, torcedores, narradores, e todos outros profissionais de imprensa ou organização presentes puderam sentir todo o poder da torcida Corinthiana. Corinthians 1 x 0, Paulinho, noite inesquecível, fiel torcida, time guerreiro, vitória heróica contra um Vasco de respeito e que lhe fez suar sangue seu adversário e tornou ainda mais brilhante sua vitória. Isso é Corinthians, o único invicto da competição agora espera o seu adversário nas semifinais sem se importar com quem seja, a história está sendo escrita pelo Corinthians, os demais, são coadjuvantes de um caminho que o leva rumo à conquista inédita.

Parabéns Vasco pela contruibuição à noite épica, parabéns Corinthians por toda doação dentro de campo, e parabéns fiel torcida pelo espetáculo das arquibancadas.

Isso é Corinthians…

Corinthians campeão da Libertadores 2012, será?

Apesar de este post estar sendo publicado no dia primeiro de Abril, não, esta não é uma brincadeirinha do dia da mentira, é uma possibilidade bem palpável.

Jogadores do Corinthians antes do início da última partida do Brasileirão 2011 contra o Palmeiras, fazendo gesto característico em homenagem ao Ex-jogador Sócrates, falecido no mesmo dia. Em sua décima participação na Taça Libertadores da América, o Corinthians ainda persegue seu primeiro título, com a pressão de sua própria torcida, dos adversários e da imprensa que cobram ou ironizam o fato de o clube paulista ainda não possuir o tão desejado título continental.

Apesar de já haver conquistado o título do mundial de clubes em 2000, ao Corinthians ainda lhe falta o título continental, atual objeto da obsessão de todos os clubes brasileiros. Após as conquistas do São Paulo no início dos anos 90, praticamente tornou-se uma obrigação por parte dos grandes clubes brasileiros, a conquista do torneio continental, quase que como naturalmente, foi-se imposto que para ser considerado grande, seria necessário que se conquistasse a América.

A história de conquistas do Corinthians no futebol brasileiro é gloriosa, maior campeão estadual em São Paulo com 26 títulos, segundo maior campeão brasileiro com 5 títulos, atrás apenas do São Paulo que possui 6, e com 3 copas do Brasil, os paulistas contam ainda com o maior título internacional, o Mundial de Clubes FIFA 2000, conquistado contra adversários como Manchester United, Real Madrid, e após uma final emocionante no Maracanã contra o Vasco de Romário, Edmundo, Juninho Pernambucano e Cia.

Mas quando se trata da Taça Libertadores, pode-se dizer que a sorte não contribui em nada com o alvinegro paulista. Mesmo dispondo de timaços como os de 1999/2000, e o de 2006 que contava com as estrelas internacionais, Javier Mascherano e o ídolo da fiel, Carlitos Tevez, o Corinthians não pôde conquistar o sonho de consumo de sua torcida, a tão cobiçada taça continental.

Ao contrário das edições anteriores disputadas pelo time do Parque São Jorge, na edição deste ano o Corinthians é visto não só pela imprensa esportiva nacional, mas também pela imprensa de todo o continente, como um dos grandes favoritos. O time consistente, que sabe jogar sob pressão, bem treinado pelo técnico Tite, e com o entrosamento de quem foi campeão Brasileiro em 2011, é tido como um time seguro, que não corre riscos, e tem controle do jogo, além de apresentar performance bastante positiva em momentos de pressão, o que é bem inerente à disputada competição.

O Corinthians de Tite, se mostra cada vez mais forte no que se refere à controle do jogo. Desde o brasileirão do ano passado, não se pôde ver um Corinthians dominado por qualquer adversário, até mesmo na eventualidade de uma derrota, o Corinthians teve maior posse de bola e controle do jogo, é um time de defesa sólida que oferece poucas oportunidades aos seus adversários, sabe controlar o jogo, mantém a posse de bola e envolve o adversário até que este se descuide e lhe possibilite marcar os gols necessários para a vitória.

A equipe paulista é “cascuda”, muito difícil de ser batida, joga com inteligência, e com a experiência de quem sabe administrar uma partida, o fundamental meia Danilo. Este que por muitas vezes foi criticado pela torcida, hoje já é visto pela mesma como um dos pilares estruturais deste consistente time, que nunca em sua história esteve tão com “cara de libertadores” como nesta edição de 2012. Um time que não treme em situações adversas, e que passa confiança e tranquilidade para a torcida, um time pronto para conquistar a América.